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Estilo de vida

Cachorros proibidos nas praias cariocas?

Arpoador e Praia do Diabo podem receber o selo Bandeira Azul, e isso pode significar o fim dos cachorros na areia.

Desde 2019, a presença de cães nas praias do Rio de Janeiro é permitida pela Lei Municipal nº 6.642. A lei autoriza a circulação e a permanência de cães nas areias de todas as praias cariocas, desde que algumas regras sejam cumpridas: os animais devem estar vacinados, livres de zoonoses, com vermifugação em dia e usando coleira. Os tutores também são responsáveis por recolher as fezes.

Uma conquista que pode estar ameaçada

Essa lei nasceu depois de anos de mobilização, diálogo e participação popular, com destaque para o movimento Vai Ter Cachorro na Praia Sim. Ele transformou uma reivindicação dos tutores em mudança concreta na cidade, defendendo a presença responsável dos cães em trechos da orla, com vacinação, vermifugação, uso de guia e recolhimento dos dejetos.

Agora, parte dessa conquista pode estar em risco. O Arpoador e a Praia do Diabo são candidatos à certificação internacional Bandeira Azul. Pelos critérios do programa, cães e outros animais de estimação, com exceção dos cães-guia, não são permitidos na área certificada da praia. Na prática, se esses trechos receberem o selo nas condições atuais, os cães deixarão de poder frequentar a areia e o mar nessas áreas.

O problema não é a Bandeira Azul

Buscar praias mais limpas, seguras e ambientalmente responsáveis é necessário e desejável. O que precisa ser discutido é por que uma certificação ambiental deve eliminar uma convivência que já é autorizada por lei, faz parte da cultura carioca e foi construída com regras de responsabilidade.

O Arpoador e a Praia do Diabo não são apenas pontos turísticos. São lugares frequentados há anos por famílias multiespécie, que encontraram ali um espaço de convivência, pertencimento e cidadania. A presença dos cães não surgiu por acaso nem foi concedida sem critérios: foi conquistada coletivamente e incorporada à rotina da cidade, com cuidados claros e tutores responsáveis pelo comportamento e pela saúde dos animais.

Essa experiência ajudou o Rio a se destacar como uma cidade mais inclusiva e pet friendly. Por isso, não faz sentido descartá-la sem diálogo e sem uma comprovação concreta de que a presença responsável dos cães inviabiliza a preservação ambiental.

Cachorra Luna Bella na Praia do Arpoador

O que defendemos: uma Bandeira Azul inclusiva

Queremos uma certificação capaz de reconhecer a realidade do Rio de Janeiro e de buscar soluções que conciliem:

  • preservação ambiental;
  • qualidade da água e da areia;
  • fiscalização;
  • responsabilidade dos tutores;
  • permanência das famílias multiespécie.

Uma certificação ambiental deve melhorar a cidade, e não obrigá-la a abrir mão de uma conquista social que funciona e faz parte da identidade local. É possível cuidar do meio ambiente sem excluir: fiscalizando, orientando e estabelecendo regras, sem apagar o direito conquistado pelos cães cariocas e por seus tutores.

O Arpoador e a Praia do Diabo pertencem a todos, inclusive às famílias multiespécie que ajudaram a construir a história desses lugares. Vamos unir nossas vozes para que a cultura carioca, a legislação vigente e os direitos dessas famílias sejam respeitados.

Você concorda que a preservação ambiental e a presença responsável dos cães podem caminhar juntas?

Acompanhe mais sobre essa luta no perfil do Instagram Vai Ter Cachorro na Praia Sim.

Cachorra Luna Bella, lulu da pomerânia, correndo na Praia do Diabo, Rio de Janeiro

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